quarta-feira, 29 de julho de 2009


Aquele sentimento se assemelhava a uma queimadura quando presenciou-o pela primeira vez. Agora tinha o aspecto de uma ferida, como aquelas que apareciam ao esfolar os joelhos quando criança.
Ao pensar no assunto, a ferida se abria e o sangue rasgava seu coração leviano e inocente. Quem diria que ela poderia abandonar o sorriso arco-íris.
Engraçado era que ela escrevia sobre coisas aleatórias e sentimentos inexistentes, e os sorrisos de seus contos eram sempre caracterizados como raios de sol, arco-íris, estrelas cadentes, diamantes. Talvez por achar que realmente eram dessa maneira.
Os outros não viam desta maneira. Principalmente ele. Sempre mandou ela se cuidar, tomar cuidado com o dia quea realidade batesse à porta e a encarasse. Ela não viva no mundo real, mas sabia que um dia teria que enfrentá-lo.
Aquele sentimento se assemelhava agora às chamas que queimavam em sua imaginação. Sua ferida aberta queimava o cração, em pouco tempo não mais aguentaria. Porém, sorria.
A estranha realidade chegava a seu encontro, sedenta de sua mente ávida por explicações. Tanto ele a alarmara, e neste momento jogar-se-ia de frente ao problema.
Ele deixara-na, para sempre. Partiria para outros amores, enquanto ela partia de encontro à rua movimentada, dando um primeiro passo em direção a morte súbita.
O sentimento agora tinha um aspecto de breu, de um anjo que a levaria de encontro à realidade: depois da morte do coração, não há problema no suicídio da alma.

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